José Aldyr Gonçalves

Escritos de ontem, de hoje e de amanhã...

Textos

CAÇULA - ASSIM SE CHAMAVA MEU CELTA
C A Ç U L A

Há coisas que, pelo menos para mim, é como se virassem gente. É o caso do meu Celtinha 2011, do qual hoje me despedi. Tenho por ele um carinho muito especial. Parentes mais próximos, amigos, colegas de trabalho, a menina do posto de combustível que ficava oferecendo produtos para agradá-lo e fazê-lo sentir-se melhor na saúde e na aparência; enfim, muitos já o conheciam assim: o Caçula de Aldyr.

Adotei-o há cerca de dois anos e meio, num momento de grandes crises, irreparáveis separações e contundentes perdas, ironicamente inclusive, perda total de um outro carro; e Caçula representou a primeira coisa boa, o primeiro sinal de que eu seria capaz de sobreviver às tempestades que aconteciam, naquele tempo.

E assim foi. Com ele compartilhei momentos de solidão, lágrimas, planos, decisões, mas também muitos momentos de superações, conquistas, vitórias e alegrias. Com ele saía todas as manhãs para o trabalho, e ele me carregava ao final do dia, suportando o peso do meu cansaço, dos estresses do trabalho e da vida, que produzem desabafos que, às vezes, somente a ele, eu tinha a oportunidade, liberdade e confiança de expressar; ao que muitas vezes ele pareceu sugerir: “calma... isso tudo passa! liga o som, vamos dar uma passadinha na praia, olhar o mar, respirar..” E, de fato, depois, chegávamos em casa, sempre, na santa paz; descansávamos, e recomeçávamos tudo, refortalecidos, no novo dia que chegava.

É por isso, e por outras razões, que ele é como se fosse o meu filho, quase irmão de minhas duas filhas adolescentes, que, embora não convivessem conosco todos os dias, uma vez que optamos por habitar em “garagens” distintas, herdaram por ele, também, um afeto especial. Portanto, é por isso que, sendo o meu Caçula, tão filho e companheiro, não está sendo fácil lhe dizer adeus, mas faz-se necessário, pois está chegando um novo filho e, em se tratando de “filhos-carros”, não posso ficar com os dois.

E eis o drama: se a minha filha mais velha já tivesse dezoito anos, Caçula seria adotado por ela, passaria a ser meu neto e permaneceria na família, mas ela só tem dezesseis, e nada se pode fazer nesse sentido! Mas não vou entregá-lo a qualquer um. Contei sua história aos que estão me trazendo o “novo filho”; e vou incumbi-los da tarefa de tratá-lo muito bem, até que arranjem um novo pai ou uma nova mãe para adotá-lo, coisa que será muito fácil, conforme disse o seu avaliador. Caçula ainda está bastante forte, tem saúde de ferro e ainda está pronto para muitas aventuras por aí.

Um grande beijo Caçula. Você sabe que já havíamos adotado antes de você o Givardo (Gol), o Speed (Classic), e em respeito a este momento, não ousarei aqui citar o nome do que ora chega, mesmo porque, você foi e sempre será o meu marcante e inesquecível... Caçula.
josealdyr@gmail.com
JOSÉ ALDYR GONÇALVES
Enviado por JOSÉ ALDYR GONÇALVES em 18/08/2015
Alterado em 18/08/2015
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