José Aldyr Gonçalves

Escritos de ontem, de hoje e de amanhã...

Textos

PAIXÃO MASOQUISTA
- José Aldyr Gonçalves

Eu tento adormecer, mas acordado, sonho
Debruçado sobre a relva negra
Das lembranças do teu corpo,
Contemplando um vazio que se enche de dor.

Ao solitário olhar, de minha janela sombria,
A tarde parece querer eternizar a tua ausência,
Castigando-me desejos e saudades
Daquilo que verdadeiramente nem tive.

E assim vago horas e dias de procura
Na amaldiçoada busca de perspectiva semimorta
Que parece infinda e inebriada,
Alimentando em tédio, minha paixão masoquista.

E quando as nuvens do desamor e do desafeto
Desabam sobre mim em temporais de lágrimas,
Rogo aos deuses da solidão que eu não me afogue,
E siga flutuante, em teimosia, ao teu encontro incerto.

Até que um dia, quem sabe, sem que nada saibas
Apareças nessa paisagem pintada de  pranto
E nem que seja por uma alucinação de misericórdia
Possa eu, enfim, roubar-te um beijo forçado pela angústia

Ou, quem sabe, me deixarei levar pela correnteza de tua indiferença
E mesmo a constatar a minha eterna desilusão
Alimentarei a esperança de desmoronar, um dia, por azar ou sorte,
Num oceano de solidão, aonde o tempo poderá lançar-te.


(Um dos meus poucos poemas sem rimas)

josealdyr@gmail.com
JOSÉ ALDYR GONÇALVES
Enviado por JOSÉ ALDYR GONÇALVES em 01/12/2009
Alterado em 18/08/2015
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